sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sexo com amor é poesia em prosa...

Arnaldo Jabor  e Rita Lee já disseram que  amor é prosa, sexo é poesia. Então o que  seria  sexo  com amor? Poesia  em prosa?

“Encontro duas  amigas no calçadão do Leblon (...)
Uma delas (solteira e lírica) me diz:
- Sexo e  amor  são a  mesma  coisa...
A outra ( casada e prática) retruca:
 - Não são a mesma coisa não...
Sim, não, sim, não, nasceu a doce polêmica ali à beira-mar. Continuei meu cooper e deixei as duas lindas discutindo e bebendo água-de-coco. E resolvi escrever sobre essa antiga dualidade: sexo e amor. Comecei perguntando a amigos e amigas. Ninguém sabe direito. As duas categorias trepam, tendendo ou para a hipocrisia ou para o cinismo; ninguém sabe onde a galinha e onde o ovo. Percebo que os mais “sutis” defendem o amor, como algo “superior”. Para os mais práticos, sexo é a única coisa concreta. Assim sendo, meto aqui minhas próprias colheres nesta sopa.
O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo isso. Sexo é contra a lei. O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre de tesão. O sexo é um desejo de apaziguar o amor. O amor é uma espécie de gratidão posteriori pelos prazeres do sexo.
O amor vem depois, o sexo vem antes. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento. No sexo o pensamento atrapalha ; só as  fantasias  ajudam ” .
                                                                                         
Se  sexo  é fantasia e  amor é  pensamento,  sexo com amor deve   ser  encantamento . Se  amor  tem jardim cercado e projetado ,  e  sexo   invade tudo , então sexo  com amor  é um  romântico  quintal  ajardinado .

“O amor sonha com uma grande redenção. O sexo só pensa em proibições: não há fantasias permitidas. O amor é um desejo de atingir a plenitude. Sexo é o desejo de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade sempre deslizante para a frente. O sexo é um desejo de acabar com a impossibilidade. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrrário não acontece. Existe amor sem sexo, claro, mas nunca gozam juntos. Amor é propriedade. sexo é posse. Amor é a casa; sexo é invasão de domicílio. Amor é o sonho por um romântico latifúndio; já o sexo é o MST. O amor é mais narcisista, mesmo quando fala em “doação”. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo no egoísm... O sexo vem dos outros e vai embora. Amor é bossa nova; sexo é carnaval ”.

Se o  amor  é redenção e  sexo  proibição, então sexo  com amor  é a  redenção de algo proibido .  Se amor é  um  romântico  latifúndio  e  sexo  é o MST , então  sexo com amor  é  um   produtivo  minifúndio ou propriedade  familiar .  Se o  amor  é  mais  narcisista , mesmo  quando fala em “doação”  e  sexo é mais  democrático mesmo sendo egoísta, então o  amor  com sexo  é  uma doação  mútua, ou um toma lá dá  cá . Se o   amor  é  bossa  nova e  sexo é  carnaval, então  amor  com sexo  é  uma  balada  dos  Beatles  ou  um samba canção .

“Amor é de direita. Sexo, de esquerda (ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta). E por aí vamos. Sexo e amor tentam mesmo é nos afastar da morte. Ou não; sei lá... ”

Se  amor é  de direita e  sexo de  esquerda  ( ou vice-versa, dependendo do  momento político )  então sexo com amor  é  de  centro . Centro é o equilíbrio ,  o  caminho do meio  ou  o caminho do  coração . E o caminho do  coração  nos  aproxima da vida em sua plenitude.



* Parte aspejada : fragmentos  da crônica 'Amor é prosa, sexo é poesia '  de Arnaldo Jabor.


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