Arnaldo Jabor e Rita Lee já disseram que amor é prosa, sexo é poesia. Então o que seria sexo com amor? Poesia em prosa?
“Encontro duas amigas no calçadão do Leblon (...)
Uma delas (solteira e lírica) me diz:
- Sexo e amor são a mesma coisa...
A outra ( casada e prática) retruca:
- Não são a mesma coisa não...
Sim, não, sim, não, nasceu a doce polêmica ali à beira-mar. Continuei meu cooper e deixei as duas lindas discutindo e bebendo água-de-coco. E resolvi escrever sobre essa antiga dualidade: sexo e amor. Comecei perguntando a amigos e amigas. Ninguém sabe direito. As duas categorias trepam, tendendo ou para a hipocrisia ou para o cinismo; ninguém sabe onde a galinha e onde o ovo. Percebo que os mais “sutis” defendem o amor, como algo “superior”. Para os mais práticos, sexo é a única coisa concreta. Assim sendo, meto aqui minhas próprias colheres nesta sopa.
O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo isso. Sexo é contra a lei. O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre de tesão. O sexo é um desejo de apaziguar o amor. O amor é uma espécie de gratidão posteriori pelos prazeres do sexo.
O amor vem depois, o sexo vem antes. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento. No sexo o pensamento atrapalha ; só as fantasias ajudam ” .
O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo isso. Sexo é contra a lei. O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre de tesão. O sexo é um desejo de apaziguar o amor. O amor é uma espécie de gratidão posteriori pelos prazeres do sexo.
O amor vem depois, o sexo vem antes. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento. No sexo o pensamento atrapalha ; só as fantasias ajudam ” .
Se sexo é fantasia e amor é pensamento, sexo com amor deve ser encantamento . Se amor tem jardim cercado e projetado , e sexo invade tudo , então sexo com amor é um romântico quintal ajardinado .
“O amor sonha com uma grande redenção. O sexo só pensa em proibições: não há fantasias permitidas. O amor é um desejo de atingir a plenitude. Sexo é o desejo de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade sempre deslizante para a frente. O sexo é um desejo de acabar com a impossibilidade. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrrário não acontece. Existe amor sem sexo, claro, mas nunca gozam juntos. Amor é propriedade. sexo é posse. Amor é a casa; sexo é invasão de domicílio. Amor é o sonho por um romântico latifúndio; já o sexo é o MST. O amor é mais narcisista, mesmo quando fala em “doação”. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo no egoísm... O sexo vem dos outros e vai embora. Amor é bossa nova; sexo é carnaval ”.
Se o amor é redenção e sexo proibição, então sexo com amor é a redenção de algo proibido . Se amor é um romântico latifúndio e sexo é o MST , então sexo com amor é um produtivo minifúndio ou propriedade familiar . Se o amor é mais narcisista , mesmo quando fala em “doação” e sexo é mais democrático mesmo sendo egoísta, então o amor com sexo é uma doação mútua, ou um toma lá dá cá . Se o amor é bossa nova e sexo é carnaval, então amor com sexo é uma balada dos Beatles ou um samba canção .
“Amor é de direita. Sexo, de esquerda (ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta). E por aí vamos. Sexo e amor tentam mesmo é nos afastar da morte. Ou não; sei lá... ”
Se amor é de direita e sexo de esquerda ( ou vice-versa, dependendo do momento político ) então sexo com amor é de centro . Centro é o equilíbrio , o caminho do meio ou o caminho do coração . E o caminho do coração nos aproxima da vida em sua plenitude.
* Parte aspejada : fragmentos da crônica 'Amor é prosa, sexo é poesia ' de Arnaldo Jabor.


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